ESPECIAL #08: VOCÊ SABIA? FRIEDRICH NIETZSCHE

15/10/2017


DEUS ESTÁ MORTO: DE UM LUTADOR CONTRA O SEU TEMPO

ESPECIAL #08 

Todos os grandes pensadores, segundo o próprio Nietzsche, são homens que lutam contra o seu tempo, pois, a partir das ideias que compõe, revolucionam e modificam as diretrizes primárias e retrógradas de cada época. Friedrich Wilhelm Nietzsche não é diferente dos demais, sendo um dos mais hábeis guerreiros na corrida contra as morais e as amarras que a sua época proporcionava.

Ele nasceu na Prússia, em um pequeno vilarejo, no ano de 1844, lugar que seria cenário para duas tragédias consecutivas na vida do jovem prodígio. A morte espreitou-o desde muito jovem, tornando-se quase como uma velha amiga, visto que, ainda na primeira infância, Nietzsche perdera seu pai e, seis meses depois, o seu irmão mais novo, restando-lhe a mãe e a irmã que, sem condições financeiras, tiveram de se mudar para Naumburgo.

Naumburgo foi o palco para os pequenos grandes passos do jovem gênio. Ele não era um menino sociável, preferindo os livros e os estudos do que as conversas comuns entre crianças daquela época. Na verdade, Friedrich era tão centrado em uma vontade de dominar a si mesmo que acabou estendendo esse desejo por toda sua vida, afetando tudo o que fez durante toda a sua existência, inclusive.

Contudo, o que levava a considerar Nietzsche um prodígio é que, na juventude, quando era conhecido como "pastorzinho", ele já compunha músicas e escrevia poesias, inclusive conseguiu uma bolsa em uma escola renomada de Pforta, aos 14 anos. Muito embora o que seja mais conhecido da obra do autor seja a sua filosofia, ele também era um filólogo de formação, crítico social e cultural.

Nietzsche tornou-se fluente tanto em grego quanto em latim e, na época em que começou a apreender o conhecimento que adquiriu das línguas antigas, começou a questionar todos os ensinamentos do cristianismo, a partir da leitura da filosofia antiga. Em seguida, foi estudar na Universidade de Boon, onde optou trocar a teologia pela filologia - o que lhe rendeu não somente textos maravilhosos e muito bem marcados na construção etimológica e racional das línguas antigas como também o tornou um grande nome nos estudos clássicos, com livros como O Nascimento da Tragédia, por exemplo.

Nietzsche ganhou o respeito de todos os seus superiores e, muito jovem, passou a lecionar filologia na Universidade de Basileia, da qual, infelizmente, teve que se ausentar por problemas de saúde. E, a partir de então, esses mesmos problemas nunca mais deixaram o filósofo. Ao menos, ele - buscando um refúgio mais adequado para sua saúde - pôde viajar, conhecer outros horizontes e passar o seu tempo se dedicando aos estudos - ainda que seus problemas de visão também prejudicassem o seu ofício.

O filósofo tivera muitas desilusões com o passar dos anos que alimentaram ainda mais a sua saúde debilitada, como a rejeição de Lou Andréas Salomé, uma jovem finlandesa com quem pretendia se casar - que não aguentava mais as declarações nem de Nietzsche e nem de Paul Rée, amigo do filósofo! Contudo, nada disso diminuiu a capacidade filosófica, filológica e muito menos narrativa do autor, que criou poemas e textos em prosa surpreendentes e fascinantes, como Assim Falava Zaratustra (1883).

A sua filosofia, como também sua prosa, é regada de conhecimento e é extremamente magnífico vislumbrar e entender - ou tentar - o pensamento do autor-poeta que marcou toda a humanidade. Os conceitos que criou como "Deus está morto", O Eterno Retorno, O Super Homem e o Niilismo ainda marcam o estudo da filosofia e continuarão a marcar, porque - ao contrário dos demais - Nietzsche estava além do bem, além do mal e, inclusive, além do tempo.


Não era seu tempo histórico que o prendia, era o tempo dos homens - de todos eles! Acredito que mesmo depois de 173 anos, ele continua além. Parabéns e muitíssimo obrigada, Nietzsche!