ESPECIAL #06: VOCÊ SABIA? MIGUEL DE CERVANTES

29/09/2017


DEU-LHE O GRÃO QUIXOTE A FAMA, E DEU GLÓRIA À SUA ALDEIA

ESPECIAL #06 

Há todo fidalgo que se preze e a toda sátira que se arranje, nenhuma parece ser mais sublime do que a de Dom Quixote de La Mancha. Essa é uma verdade universal, ao menos, até o momento e até onde se sabe.

A figura de Cervantes talvez não seja tão conhecida a todos como é a própria figura de seu personagem mais famoso, Dom Quixote, que foi revisitado por inúmeros autores e até mesmo pintores, como Picasso e Dali. Cervantes é o romancista, dramaturgo e poeta que deu vida a não somente a parte I e parte II de Dom Quixote, mas também obras como Os trabalhos de Persiles e Sigismunda, O ciumento de Extremadura, entre outros.

De origem espanhola, é considerado o texto mais importante dessa nacionalidade. Além disso, também é considerado como um dos mais brilhantes e incríveis satíricos já conhecidos, visto que sua obra contempla uma crítica muito bem fundamentada as novelas de cavalaria da época. Os nobres homens eram capazes de enfrentar tantos perigos? De conquistar donzelas? Dom Quixote apresenta um mundo imaginário - ou melhor, ficcional, no seu sentido mais amplo e latino - que enfrenta perigos e aventuras, sempre acompanhado de seu fiel vassalo, Sancho Pança, seu cavalo Rocinante e também sua amada, a dama Dulcinéia - como foi batizada por ele e, como diz o título desse pequeno artigo, foi a partir dela que Dom Quixote ganhou a fama e deu glória à sua aldeia. Mas esse último verso deve ser deixado de lado, pois ninguém quer spoiler.

De fato, Dom Quixote recebeu tamanha fama e também glória - fora de sua narrativa - que é impossível não utilizar tal frase para falar sobre ele, ou até mesmo o próprio Cervantes, autor que ficou conhecido no mundo todo e que também trouxe tantas glórias para seu país.

Como muitos dos autores do passado, Cervantes também foi a guerra - impulsionado pela vida que levava com seu pai quando jovem, que nunca parou em um lugar e, por conta disso, sete cidades disputam a sua naturalidade. Além disso, deve-se ressaltar também que, em 1563, sua família se mudou para Sevilha, onde estudou gramática e aprendeu latim com os padres jesuítas.

Ele não ficou toda a sua vida na Espanha, em uma missão, ele foi levado a Roma, onde teve acesso ao grande arsenal que era a literatura renascentista e, dessa forma, aprimorou mais ainda a sua capacidade como escritor, conhecendo diversos outros talentos renomados da época e do passado. Sua viagem não ficou só em Roma, pois sob o comando de Dom Lope de Figueroa, conheceu toda a Itália.

A sua aventura não foi somente no âmbito das missões ou do exército, também foi preso por - acredite se quiser - piratas, passando cinco anos, graças a isso, em Argel. Somente em 1580 foi resgatado, finalmente, por sua família com auxílio de padres. Depois disso, continua como soldado e conhece toda Portugal antes de voltar para sua preciosa terra.

O autor passou por diversas aventuras que o levaram a ter muita maturidade, alguns especialistas acreditam que Dom Quixote foi escrito quando Cervantes estava preso, visto que sempre, ou melhor, três vezes esqueceu de prestar contas à Coroa - na época em que foi encarregado pelo rei de coletar os impostos.

Cervantes, não somente como autor, mas como personagem histórico, é incrivelmente cativante. Suas aventuras parecem tão surreais quanto as de seu personagem e sua história é estudada e reestudada por especialistas que tentam desvendar o mistério que era o próprio Miguel de Cervantes. Como autor brilhante e personagem incrivelmente inesquecível: Cervantes é como o próprio Dom Quixote, um aventureiro - não importa quem diga o contrário.

Nesse ano, Miguel de Cervantes completa 470 anos de história! Parabéns, nobre cavaleiro!