QUER DICA? #02: 15 OBRAS DE MULHERES SOBRE MULHERES

08/03/2018


15 OBRAS DE MULHERES SOBRE MULHERES

DICA #02


Você conhece a história das irmãs Brontë? As três talentosas escritoras começaram a sua carreira utilizando pseudônimos neutros, que não definiam sua sexualidade. No entanto, todos os seus leitores acreditaram cegamente que eram homens.

Esse pensamento não era incomum, principalmente, na época em que elas nasceram, visto que, geralmente, escritores bem-sucedidos eram do sexo masculino, pois eles eram os que detinham conhecimento e a maior possibilidade de estudar e se formar como exímios escritores.

Desde o início dos tempos, a literatura foi influenciada pela sociedade a permanecer naquela linha de raciocínio patriarcal. Entretanto, mulheres incríveis surgiram dentro desse sistema e se sobressaíram, falando sobre a mulher, as suas adversidades e empoderando-nos antes de sabermos que isso era possível.

Nós fizemos uma lista de quinze grandes escritoras e obras para ler, saborear e enxergar o mundo a partir do viés feminino. 


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ELENA FAVILLI & FRANCESCA CAVALLO

Histórias de Ninar Para Garotas Rebeldes

Cansadas de observar a literatura infanto-juvenil sempre trazer o príncipe como herói e a princesa como a vítima precisando ser salva, as duas autoras do livro "Histórias de Ninar para Garotas Rebeldes" resolveram colocar as mãos na massa e trazer para essa nova geração uma possibilidade ainda mais interessante do que os antigos clichês femininos. Contanto com cem histórias de mulheres reais e extraordinárias, elas mostraram que é possível sonhar e ser quem quisermos. 


MARJANE SATRAPI
Persepólis

Literatura, na nossa concepção, vai além de palavras, pode também ser imagem com texto. "Persepólis" é um exemplo incrível sobre como os quadrinhos podem retratar a busca de mulheres, de diferentes etnias e religiões, pela liberdade e pelo próprio sonho de serem o que quiserem. Contando com uma animação francesa, esse quadrinho ganhou destaque não só pelo feminino, mas também por conta do engajamento político.


YOSHIKI NAKAMURA

Skip Beat!

O público japonês é conhecido pelo seu machismo; suas histórias, muitas das vezes, mostram os personagens masculinos como heróis, enquanto, em contrapartida, as personagens femininas são meramente pares românticos sem tanta função narrativa. Contudo, "Skip Beat!" vai um pouco além dessa lógica, mostrando-nos como a protagonista se perde nesse estereótipo e, após ser usada por causa dele, recomeça e reinventa a sua jornada, não mais tentando encontrar o amor e sim, a si mesma.


CHIMAMANDA NGOZI ADICHIE

Americanah

Histórias de amor podem nos mostrar lições grandiosas, Adichie em "Americanah", demonstra-nos que lições de amor e sociedade podem se miscigenar. A principal autora nigeriana da contemporaneidade é alguém que, com essa obra, debate questões pertinentes, constantes e universais como o preconceito racial e a imigração; mas, principalmente, a desigualdade de gênero e como, independente de onde estejamos, sofremos com ele.


RUPI KAUR

Outros jeitos de usar a boca

Com poesia e desenho, em "Outros jeitos de usar a boca", Rupi Kaur mostra artisticamente as múltiplas faces da mulher, sejam as suas vitórias pessoais ou as suas derrotas mais sofridas. Todo o seu livro trabalha a figura feminina e representa-a, contudo, há poemas que adentram mais fundo na alma e perfuram a sociedade. A elas, esse livro é dedicado.


KATHRYN STOCKETT

A Resposta

Em "A Resposta", encontramos as múltiplas percepções de mulheres na década de 60, época, nos Estados Unidos, em que as mulheres brancas eram menosprezadas e as negras, mais ainda pelo machismo e racismo vigentes. Com um filme homônimo ao livro em inglês, "The Help", a opressão e a dor são temas centrais capazes de dilacerar a alma.


LYGIA FAGUNDES TELLES

A Estrutura da Bolha de Sabão

Título de um dos contos mais famosos da escritora brasileira, com livro homônimo, "A Estrutura da Bolha de Sabão" é uma narrativa que trabalha, principalmente, a busca pela emancipação feminina. Embora não seja considerada feminista, é uma história que se concentra em fazer uma reflexão a respeito de como a mulher é vista dentro da sociedade.


JANE AUSTEN

Orgulho e Preconceito

Um dos livros de romance mais famosos da literatura, "Orgulho e Preconceito" é uma excelente pedida ao falarmos das opressões que as mulheres da época de Austen sofriam quando o assunto era casamento, felicidade e liberdade. Austen faz uma crítica fundamental a toda essa sociedade, sem deixar de lado o romance.


LIANE MORIARTY

Pequenas Grandes Mentiras

O livro de Liane Moriarty foi adaptado pela HBO e tornou-se uma série aclamada pela crítica, colecionando inúmeros prêmios. A trama principal narra sobre três personagens femininas e aborda temas pertinentes na sociedade atual que são, infelizmente, conhecidos por muitas mulheres. Cada história se entrelaça de maneira delicada enquanto uma investigação de assassinato paira sobre a pequena cidade onde as personagens vivem. A veracidade das emoções e ações envolve o leitor, criando uma narrativa incrível que retrata personagens femininas complexas, bem desenvolvidas e muito fortes.


MARION ZIMMER BRADLEY

Brumas de Avalon

Todos conhecemos os mitos arturianos, as aventuras dos grandes cavaleiros da Távola Redonda e como todos eram guerreiros capazes de exuberantes façanhas. Contudo, ao contrário da maioria das adaptações, Marion Zimmer traz, a partir de quatro perspectivas femininas, o que de fato era essa sociedade para as mulheres e como elas eram vistas, sem romantizar, em nenhum momento, a sua força e participação na trama.


SYLVIA PLATH

A Redoma de Vidro

Em "A Redoma de Vidro", encontramos Sylvia Plath - e também muitas mulheres que sofrem com a depressão e com a pressão da sociedade -, que tenta designar a nós o que podemos ou não fazer; a que devemos ou não nos dedicar. Em uma narrativa que contempla ficção e autobiografia, a obra se inspira em um verão de 1952, quando a autora tentou cometer suicídio e foi internada em uma clínica psiquiátrica. Além da prosa incrível de Plath, o livro nos transmite como uma mulher precisa ter coragem para tratar-se de uma doença mental e como essa doença pode ser agravada por toda a pressão à sua volta.


VIRGINIA WOOLF

Um Teto Todo Seu

Em 1928, Virginia Woolf, dentro de universidades, proferiu palestras a respeito de sua reflexão sobre as condições sociais da mulher e de sua influência na produção literária feminina. Dentro de "Um Teto Todo Seu", as palestras ganham forma de texto e todas nós temos a oportunidade de conhecer parte de seu pensamento, principalmente, em que medida a expressão do pensamento feminino estava e como era difícil se expressar, como era difícil de ser.


CLARISSA PINKOLA ESTÉS

Mulheres que correm com os lobos

O livro de Clarissa Pinkola é uma obra que vai além do gênero, usando a psicanálise, a autora explora o inconsciente feminino, demonstrando o quanto a sexualidade das mulheres, no decorrer do tempo, foi castrada. O quanto podemos sentir e amar? Tal como os lobos, figuras outrora amadas, agora temidas, a mulher encaixa a sua sexualidade: o que mais os homens temem senão uma mulher resolvida?


CHARLOTTE PERKINS GILMAN

O papel de parede amarelo

Charlotte Perkins Gilman foi uma feminista ativa e autora sobretudo de não-ficção. Seu conto "O papel de parede amarelo" é considerado até hoje uma importante obra sobre fundamentos feministas. A história aborda uma mulher com uma doença inespecífica que, por muita sorte ou muito azar, é casada com um médico. Definindo a situação como um resultado dos nervos, o marido aluga uma casa de campo, onde poderá trabalhar e a mulher poderá ser medicada e aproveitar de um repouso absoluto. Ficando cada vez mais confinada em seu quarto, sua única distração é observar o papel de parede amarelo com intrincados padrões que despertam uma obsessão. Além de um retrato do poder do marido sobre a mulher, a submissão e a completa aceitação do que lhe é imposto, a história é uma profunda análise da derrocada da personagem em sua insanidade.


MARGARET ATWOOD

O Conto de Aia  & Vulgo Grace 

Em ambos os livros de Margaret Atwood, podemos ver como o feminismo é necessário, mesmo que a autora não faça qualquer apologia. Na obra, Vulgo Grace, adaptada recentemente pela Netflix, percebemos o quanto o machismo pode ser danoso para a sociedade, visto que percebemos, a partir da figura da protagonista, uma personagem ambígua: abusada pelo pai e uma possível assassina. Contudo, o machismo era tão forte que, para eles, as mulheres eram incapazes de causar o mal sem influência masculina. Atwood fala dos dois lados do patriarcalismo, sem demagogias.

Já em O Conto da Aia, adaptado pela Hulu, o mundo enfrenta uma terrível consequência por conta da poluição e dos materiais tóxicos: os mais baixos níveis na taxa de natalidade. Na distopia, um governo teocrático totalitarista faz das mulheres uma propriedade. A narrativa visceral é a essência da literatura, incômoda e assustadoramente próxima de cada leitor. A realidade criada por Atwood foi inspirada em eventos passados, mas que continuam em voga, o que fez de O Conto da Aia um clássico.


EXTRA:

ROSA MONTERO
A Louca da Casa

Em uma mistura divertida, irreverente e profunda de ficção e autobiografia, Rosa Montero fala sobre sua carreira como escritora, além de incríveis insights sobre o ato da escrita. Reunindo histórias pessoais e de outros autores, colecionando dicas de livros e escrita, Montero narra algo essencial e único. Suas aventuras profissionais e amorosas, de escritora e leitora, criam um panorama complexo e abrangente sobre o papel da mulher na literatura, resultando em um guia para, principalmente, escritoras que encontram na escrita o seu acalento.