ESPECIAL #21: VOCÊ SABIA? WILLIAM SHAKESPEARE

23/04/2018


SER OU NÃO SER, EIS A QUESTÃO

ESPECIAL #21


Uma das mais famosas - quiçá a mais - frases de Shakespeare também diz muito a respeito dele próprio, de sua história embebida de dúvidas que o perseguiam tanto quanto estão presentes em cada um de nós, constantemente em nosso encalço.

Para ser honesta, não somente Hamlet - de onde essa frase é retirada - como também todas as obras de Shakespeare são um pedacinho do que somos e, por causa disso, a maioria dos seus textos, tanto poemas quanto peças, continuam até hoje a nos encantar e sofrer adaptações, trazendo - por querer ou sem - o que há de mais belo e o que há de mais destrutivo no homem.

Shakespeare, em si e para muitos, ainda é um mistério, algumas lacunas não foram preenchidas, embora seja uma das figuras históricas com mais registros encontrados na contemporaneidade. Ao contrário dos outros Williams de seu tempo, ele - sem sombra de dúvida - gerou reboliço e destaque.

Nascido em um centro comercial, numa pequena cidade inglesa chamada Stratford-Upon-Avon, era filho de um burguês e de uma nobre; e sabe-se que seu avô materno possuía muitas terras pela área.

Acredita-se que ele tenha estudado na Stratford Grammar School, porém não é certo afirmar que de fato tenha; o que sabemos, no entanto, é que Shakespeare era um autor que conhecia - e muito - da história, da língua e da cultura, principalmente, as prestigiadas em seu tempo, a grega e a latina. Foi ele, inclusive, que fez peças históricas como Júlio César e Antônio e Cleópatra.

No entanto, antes de criar peças e deixar seu legado, Shakespeare, em novembro de 1582, havia se casado com uma mulher oito anos mais velha do que ele, quando tinha apenas dezoito anos de idade. O nome dela era Anne Hathaway (sim, exatamente como a atriz que se casou com um homem aparentemente semelhante ao dramaturgo, Adam Shulman) e, com ela, o poeta teve três filhos: Susanna, Judith e Hamnet.

Acredita-se que a primogênita, Susanna, tenha nascido seis meses depois do casamento dos pais, o que explicaria o matrimônio de Shakespeare com apenas dezoito anos de idade, o que não era comum para rapazes daquela época. Dois anos depois, nasceram os gêmeos, Judith e Hamnet, que demonstravam um casamento até então saudável.

Contudo, em 1586, Shakespeare saiu de casa em um impulso e foi para Londres. Essa parte da biografia é muito especulativa, pois não se sabe exatamente se o casamento não ia bem ou se houve um desejo de grandeza por parte do dramaturgo e aceitação por parte da mãe dos seus três filhos, muitos supõem que não era um casamento próspero, mas não se sabe de fato o que realmente aconteceu.

O que se sabe é que ele começou como apenas um guardador de cavalos e, apenas no ano de 1592, dez anos depois do seu casamento, é que ele finalmente teve o impulso na carreira que tanto o faria crescer. A sua primeira peça famosa foi Henrique VI, um dos seus dramas históricos mais conhecidos até hoje.

Nomeado também como "O Bardo", Shakespeare escreveu do ano de 1590 até 1611, pois, em 1612, resolveu que se aposentaria. Nesse meio tempo, ele criou comédias, peças histórias, tragédias - muito famosas -, peças romanescas e diversos poemas.

Entretanto, deve-se deixar claro que no decorrer dos anos de sua produção, não só de arte se fez sua vida, ele teve ganhos e perdas, como, por exemplo, em 1594, entrou para a Companhia de Teatro de Lord Chamberlains Men. Em 1608, firmou um patrocínio com o Conde de Pembroke e teve contato com a própria rainha Elizabeth - o dramaturgo, até os dias de hoje, é citado como o nome principal do teatro elisabetano - e o filho dela.

De mazelas, a pior entre todas, foi a perda de seu filho mais jovem no ano de 1596. Essa história, inclusive, inspirou escritores como Neil Gaiman, que, como parte da HQ Sandman, narra a perda do filho enquanto readapta, ao mesmo tempo, Um Sonho de uma Noite de Verão. Essa trama, em 1991, ganhou o prêmio de contos no World Fantasy Award, a primeira HQ até então a ganhar nessa categoria.

Até mesmo suas tragédias pessoais comovem autores contemporâneos, mostrando que Shakespeare continua a ser, de longe, o mais influente dramaturgo, poeta e escritor de seu tempo - e talvez de qualquer outro tempo até os dias de hoje. O seu legado permanece conosco enquanto nos questionamos se somos ou não; enquanto, ao mesmo tempo, somos incapazes de deixar de ser questões ambulantes.