ENTREVISTA #02: FELIPE CASTILHO

12/02/2018


ENTREVISTA FELIPE CASTILHO

ENTREVISTA #02



O1: Quando você descobriu o seu desejo para com a escrita?

R.: Eu acho que tiveram vários momentos que somaram para a vontade real e oficial vir à tona. Quando eu tinha uns 8 anos, passava a maior parte do tempo escrevendo e ilustrando meus próprios livros, grampeando folhas de sulfite mesmo. Mais tarde, com uns 12, comecei a fazer quadrinhos como hobby (novamente as folhas de sulfite, agora dobradas uma dentro da outra) e coloquei na cabeça que criaria uma editora para concorrer com Marvel, DC e Imagem. Com 16, comecei a escrever meu primeiro romance, que era horrível, e então decidi correr atrás do prejuízo para começar a levar a coisa a sério.


O2: Como surgiu a ideia de "Ordem Vermelha"?

R.: Ela surgiu lá dentro da equipe da CCXP, quando o Rodrigo Bastos e o Rodrigo Didier fizeram os primeiros esboços de um universo compartilhado e coletivo. Mais tarde, o Érico Borgo e o Renan Pizii, que são diretores criativos do projeto, me chamaram para conversar e posteriormente perguntaram se eu queria entrar no projeto. Aí disse que precisaria pensar muito e demorei 0,32 segundos para dizer sim.


O3: Por quanto tempo você se preparou para escrever essa história? Quais foram as suas maiores referências?

R.: Foram dois anos de criação, entre conversas com a equipe e minha escrita. Eram várias ideias boas que somavam demais, e à toda hora o Rodrigo e o Victor chegavam com mais alguma ilustra fenomenal que me fazia mudar o percurso da história ou o destino de algum personagem. Minhas maiores referências foram Fahrenheit 451, Cidade de Deus, Trainspotting e todos os autores de fantasia que eu já li na minha vida. De uma forma ou de outra, todas essas coisas tão discrepantes me trouxeram até aqui e estão presentes em Filhos da Degradação.


O4: Por que o protagonista é um falcoeiro? Tem alguma coisa a ver com a ideia de voar e liberdade? E por que o falcoeiro é o centro da narrativa?

R.: Existem muitos paralelos e simbolismos no livro, e esse pode ser um deles. Aelian "voa" saltando de um prédio para outro, às escondidas e buscando seu arremedo de liberdade sempre que possível. Ele é um pária, e tem essa ligação com Bicofino, um falcão que deveria ter sido sacrificado pois era mirrado. Não acho que só ele seja o centro da narrativa, pois tanto ele quanto a Raazi apresentam ao leitor aspectos diferentes de Untherak.


O5: Qual é a sua maior inspiração literária? Existe algum autor que você se espelhe?

R.: Terry Pratchett é meu xodó! Nunca encontrei nada ruim dele.


O6: Como você se sente com a recepção dos leitores?

R.: É sempre bom demais, né? Eu curto saber o que eles acharam e com quais palavras eles me xingaram em certos pontos do livro.


O7: Você pode dar uma pequena dica a respeito de como lidar com o público?

R.: Olha, nem sei se estou nessa posição de dar dicas. Trato as pessoas como pessoas, com o respeito que gosto de receber, tanto num lançamento de livro quanto na fila do supermercado. Acho que respeito é sempre bom, e a todo momento invertemos esses papéis como receptores da atenção alheia. Meus leitores mais "antigos" (entre aspas mesmo porque meu primeiro romance é de 2012) e assíduos acabam se tornando pessoas próximas que vira e mexe conversam comigo sobre mil coisas. Acho que a maior parte dos meus lançamentos acabam se tornando um grande reencontro de amigos.


O8: Qual dica você daria para os escritores iniciantes para trabalhar a construção narrativa?

R.: Trabalhem primeiro narrativas curtas! É muito provável que teu primeiro livro de 680 páginas (primeiro de cinco ou seis livros) precise de muitos ajustes, e a prática de ficções breves nos ajuda a sermos mais objetivos.


O9: O que você acha do mercado editorial brasileiro? Como é ser um dos primeiros autores brasileiros de literatura fantástica a estar em uma das editoras mais conhecidas do país e que publica somente autores estrangeiros do gênero? Você pode contar um pouco dessa experiência e, aproveitar, dar uma dica aos escritores iniciantes?

R.: Na Intrínseca, eu fui o primeiro autor nacional de fantasia, e sou muito grato tanto a eles quanto ao pessoal do Omelete/CCXP por confiarem no meu trabalho. Mas como nada vem de repente, sou grato também a todos que me abriram portas, como a Gutenberg e as editoras que publicaram contos meus antes mesmo de que eu publicasse o Ouro, Fogo & Megabytes.


1O: O que você mais gostou/gosta de trabalhar em Ordem Vermelha (assunto ou personagem favorito)?

R.: Meu personagem favorito é o Bantu Okodee, adoro a rabugice dele! Mas a minha coisa favorita ali é poder quebrar a expectativa de quem começa as primeiras páginas achando que se trata de mais um livro de fantasia com uma gênese épica e desenvolvimento previsível.


11: O que você julga ser o grande diferencial de Ordem Vermelha?

R.: Acho que toda essa equipe por trás da Ordem, criando mil coisas em diferentes áreas e fazendo o projeto se expandir para todas as direções. Para mim, poder escrever um livro com o apoio de artes conceituais e contando com pessoas incríveis como o Rodrigo e o Victor foi algo insanamente sensacional, além do apoio da CCXP e da Intrínseca, que é uma máquina de fazer livros


12: Em Ordem Vermelha, vemos um sistema político muito carregado de conflitos e corrupção, você se inspirou no Brasil ou acredita que o nosso sistema político contemporâneo possui grande influência no seu livro?

R.: Possui influência até demais. Grande parte das leis e fundamentos de Untherak, como o trabalho em condições desumanas, escrevi com raiva da Reforma da Previdência e outras trapalhadas dessa galera que adora se meter em confusões.


13: Quais são os pontos dentro da narrativa que você mais deseja que as pessoas percebam, tanto nos personagens quanto na construção do mundo de Ordem Vermelha?

R.: É um livro em camadas, então, tem muita coisa para ser extraída, e ficarei feliz de ver qualquer uma dessas coisas saltando aos olhos dos leitores. Mas creio que a mensagem de liberdade aos artistas, que era uma coisa que guiou o Rodrigo durante todo o processo dos esboços do Aelian, do Harun, do Ziggy e da Raazi, seja uma das mais importantes ali.


14: Você possui outros trabalhos. Pode falar um pouco a respeito deles?

R.: A minha saga do Legado Folclórico é a mais conhecida dos meus outros trabalhos, e por enquanto tem três livros (Ouro, Fogo & Megabytes, que eu já citei; além do Prata, Terra & Lua Cheia; e do Ferro, Água & Escuridão). Estou escrevendo em paralelo com "outras coisas" o último livro da saga: Aço, vento & Sacrifício. Gosto do Legado porque ele traz mitos e lendas de nosso folclore para um cenário atual, urbano e tecnológico. Inclusive estou TRISTALHO de me despedir dos personagens na escrita dessa quarto livro.


15: Quando vai sair o próximo volume? Fale mais sobre os seus projetos futuros!

R.: Da Ordem não depende só de mim, claro, mas também já está sendo escrito. Mas antes disso teremos MUITAS novidades nesse universo. Mas além do Legado e da Ordem, esse ano lanço a HQ que escrevi, "Desafiadores do Destino", pela editora AVEC. Além disso tem os títulos que estou editando para a Plot!, o selo de quadrinhos que estou encabeçando aí nos últimos meses. Em 2018, vou lançar Tank Girl, uma adaptação de um clássico absoluto e outros títulos nacionais incríveis, aos pouquinhos e com cuidado.


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