DESAFIO O MARAVILHOSO BISTRÔ DO POLVO #06: A MELHOR RESENHA

20/03/2018


UM VENCEDOR NATO


O Maravilhoso Bistrô do Polvo poderia ser apenas uma história sobre competição culinária, porém é muito mais do que isso. O conto fala de determinação, de focar no seu sonho, naquilo em que você acredita e sobre até onde você está disposto a ir, esforçar-se e dar o seu melhor para conseguir aquilo que tanto almeja.

Logo no começo, somos apresentados a Samuel. O protagonista da trama é um mestre-cuca recém formado em busca do emprego dos sonhos: uma vaga de chefe no restaurante mais badalado do Rio de Janeiro, o Bistrô do Polvo.

A tensão da história gira em torno do processo de seleção pela vaga. E é então que o autor desenvolve o enredo no melhor estilo do famoso programa MasterChef.

Jurados rigorosos; competidores fortes e mais experientes do que o próprio Samuel; tempo cronometrado; e uma sequência angustiante de provas cujo objetivo é nada mais nada menos do que o prato perfeito; são esses os elementos que ditam todo o ritmo da narrativa. É maravilhoso acompanhar cada etapa e desdobramento desse programa em forma de conto.

É visível que o autor se esforçou para transmitir o máximo de verossimilhança possível e que houve um dedicado trabalho de pesquisa por trás de cada receita da culinária Mediterrânea mostrada ao longo do texto, bem como no momento em que Samuel precisa sair da sua zona de conforto e nos apresenta uma sobremesa argentina.

Apesar de muito detalhista, em nenhum momento a narrativa se mostra cansativa ou desnecessária por conta dessa característica. Cada detalhe é importante para transmitir o clima culinário, em cada linha é palpável a tensão da competição entre os candidatos. O detalhismo não atrapalha a fluidez. Ao contrário, aprofunda a leitura de um jeito envolvente e realista.

É possível até mesmo vivenciar a experiência dos jurados ao provarem os elaborados pratos. A cada vez que eles descrevem os sabores e as sensações causadas no paladar, é como se o próprio leitor pudesse provar e sentir cada sabor contido nas palavras. Essa imersão através da gastronomia contribui muito para uma imersão ainda maior na narrativa em si.

Os pontos fracos da história limitam-se à pontuação dos diálogos, algo que seria perfeitamente sanado com uma última revisão. Além disso, o que se refere a um futuro envolvimento romântico entre Samuel e um dos chefs e fundadores do Bistrô do Polvo, Henrique. Não chega a ser um defeito, na verdade. É apenas uma curiosidade que fica no ar, uma torcida por uma sequência que possa retomar esse plot e uma frustração pela história ter terminado cedo demais, pois a simpatia pelo possível casal foi algo imediato e natural.

O ponto mais alto da história sem dúvida é o seu desfecho. Algo que poderia ter sido totalmente previsível, com o protagonista vencendo a competição, surpreende-nos pelo realismo e pela bela mensagem que fica implícita.

Tal como o personagem Rocky Balboa, no primeiro filme da saga, não consegue vencer o seu oponente Apollo Creed, Samuel tampouco consegue superar o seu concorrente na última prova. Tecnicamente, ele perde nessa etapa. Porém, acaba ganhando a vaga dos sonhos mesmo assim.

A mensagem que fica é que mesmo não tendo ganhado de maneira oficial, Samuel venceu de alguma forma. Por sua determinação e humildade, por seu inegável talento gastronômico, por não ter abandonado a competição apesar de todo o nervosismo e inexperiência em comparação com outros profissionais do ramo, por ter ficado de pé até o final da luta.

Samuel perdeu, mas é um vencedor nato.